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Na segunda parte desta entrevista, a educadora e professora de educação inclusiva Aline Viana continua esclarecendo pontos importantes sobre a educação inclusiva. Ela dá dicas práticas de como pai e educadores podem apoiar crianças e adolescentes com transtornos e deficiência em sala de aula para que o processo de aprendizagem ocorra, respeitando as necessidades e as dificuldades de cada um.

 

– Como os pais podem dosar a superproteção e o cuidado com as crianças especiais?

 A história nos mostra que o deficiente foi, por muitos anos, estigmatizado e segregado por uma sociedade não acostumada com as diferenças e que lhe negou o respeito à sua dignidade de pessoa humana e aos seus direitos de cidadão (educação, saúde, trabalho, lazer e convívio social). Ainda nos deparamos com resquícios dessa história, mas é importante que a luta contra os fantasmas do preconceito comece em casa. É compreensível o medo “do mundo lá fora” especialmente quando falamos sobre filhos deficientes. Mas é fundamental ter em mente e pautar os cuidados no fato de a criança ter outras funções intactas, deixando de focalizar com exclusividade o problema apresentado, enxergando o filho em primeiro lugar, em vez de sua síndrome ou transtorno ou deficiência. Precisar de atenção integral e cuidados especiais não significa ser podado ou privado de alternativas. Incentive o máximo de independência possível, respeitando as limitações, e cada pequena conquista e descoberta favorecerá o processo de construção do conhecimento e sua inclusão social.

– Como os educadores podem auxiliar na formação de crianças com necessidades especiais?

A primeira mudança deve ser, sem dúvida, de atitude. É preciso estar aberto e querer contribuir, olhar para essas crianças sem viseiras, sem preconceitos, enxergando-as como seres humanos. Em seguida deve-se buscar qualificação constante, afinal, a inclusão é algo recente, que precisa de profissionais capacitados para auxiliar na construção da base necessária para o desenvolvimento de processos inclusivos efetivos, que façam a diferença na vida dessas pessoas e que construa modelos a serem seguidos.

No caso das instituições, a matrícula obrigatória é apenas o início do processo inclusivo, mas não garante, por si só, a efetiva inclusão desses alunos, que devem ser tratados com igualdade de acesso e de direitos dentro de qualquer ambiente, principalmente nas escolas. A abertura das portas para alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidade ou superdotação deve ser ressignificada e essas pessoas devem ser, de fato, integradas aos processos educacionais, levando-se em consideração que nenhuma classe é homogênea, portanto, o ensino deve ser pensado mediante a heterogeneidade. O trabalho desenvolvido dentro das escolas comuns deve auxiliar a reconstrução da autoimagem desses alunos, a construção de um posicionamento firme contra o preconceito e a favor do respeito às diferenças.

A presença de pessoas deficientes e com transtornos deve aparecer, inclusive, no Projeto Político Pedagógico das escolas e o assunto deve ser pauta de todas as reuniões pedagógicas, convidando a todos os envolvidos nos processos educacionais a repensarem a educação, considerando a diversidade como realidade inerente ao ser humano, sempre presente no contexto escolar, além de entender que todos podem aprender juntos, embora com objetivos e processos diferentes, levado os docentes a estabelecerem formas criativas e diversificadas de atuação. O interesse nesses alunos, ao ponto de estudar as necessidades educacionais especiais de cada um, é fundamental para a escola alcançar meios mais eficazes de intervenção, lembrando também a importância das adaptações curriculares da formação e qualificação docente voltada para a diversidade.

 

– O que você gostaria de dizer para os pais de crianças com necessidades especiais?

O mundo não é homogêneo e seus filhos vieram enriquecer os círculos de convivência dos quais fazem parte. Assim como todos nós, eles têm muito a aprender, mas também muito a ensinar. E acreditem: as lições de vida ensinadas por eles, despretensiosamente, ressignificam a existência de quem tem o privilégio de compartilhar momentos com eles. São salva-vidas que oportunizam nossa melhoria como seres humanos, nos ensinam a conviver com as diferenças dos outros e com as nossas próprias diferenças, fazendo-nos compreender que são as diferenças que constroem a solidez das relações.

 

Tem alguma dúvida sobre o assunto? Deixe sua pergunta nos comentários para que possamos esclarecê-la.

Pinguinzinho
Pinguinzinho
Editora de livros infantis personalizados

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